11 de novembro de 2015

Uma época de prioridades invertidas - o essencial e o acessório



No que toca à nossa saúde, somos uma espécie em decadência. Não sendo fácil identificar um marco histórico na nossa evolução que possa explicar este fenómeno, os últimos 40-50 anos têm sido marcados por uma deterioração galopante da nossa saúde. Vivemos mais anos, mas quantos desses são de plena vitalidade? Centenas de publicações e teorias já sairam sobre o assunto, e em todas elas encontramos "a resposta". É o stress. É o distúrbio dos padrões de sono naturais. É a dieta. É o sedentarismo. E se não for nenhuma? E se forem todas? É normal que a nossa atenção "selectiva" se foque num ponto em particular que nos pareça lógico, e com o qual nos identifiquemos de certa forma. E se formos leigos ou pseudo-experts, a nossa atenção flutua de um aspecto para outro num piscar de olhos. Hoje lemos sobre a inactividade física e está explicado. Amanhã sobre o stress e encontrámos a resposta.

A nossa saúde é resultado de uma interacção dinâmica de múltiplas variáveis para além de qualquer modelo estatístico compreensível ao intelecto humano. Simplesmente não é possível estudar e avaliar a influência e interacção de tantas em simultâneo. Mas na verdade é provável que o resultado seja mais penoso do que a soma das "pequenas" partes, algumas a que nem damos importância, e outras a que damos importância demais. 

A Nutrição é um exemplo paradigmático deste foco selectivo, uma ciência cada vez menos ciência e mais moda. Os nutricionistas podem fazer muito pela saúde de uma pessoa, especialmente se estiverem focados nos aspectos macro e menos no acessório. Os "jornalistas" nem tanto. Para a grande maioria das pessoas, a discussão não deveria ser a inclusão de chia, ou pólen de abelha virgem, ou manteiga de "bisonta" alimentada a trufas e suplementada com ómega-3. Isto quando nem sequer o stress do dia-a-dia sabemos gerir e garantir um sono de qualidade. É tão mais fácil incluir um alimento mágico do que mudar alguma coisa no nosso estilo de vida não é? Mas infelizmente o problema é estruturante e mexe com a sociedade como a conhecemos.

Vejo pessoas a tomar o açaí de manhã com a chia, a beber o seu copo de água tépida com limão ao acordar, e água Monchique durante o dia. Que não comem carne vermelha porque ouviram dizer que causa cancro, ou branca pelos antibióticos que contém, ou porque decidiram que ser vegetariano era a solução. Fazem um jejum periódico para limpar o corpo dos males que o conspurca, e tomam banho com um sabonete de mel e azeite biológico, mais apropriado para comer do que a maioria dos alimentos num supermercado. Mas passam o dia sentados, são falsos magros com aquela "barriguinha" proeminente, dormem 5 horas por noite e mal, vivem em stress constante para pagar as prestações ao final do mês, e passam 2 horas por dia no trânsito a rogar pragas. Acham que vai fazer a diferença? Não... Não vai correr bem.

4 comentários:

  1. Por acaso esse declínio na nossa saúde coincide com aquele pseudo-estudo que demonstrava, supostamente, que as gorduras saturadas eram um risco para a saúde. Desde aí que se incentiva a comer menos gorduras e a comer mais cereais. Basta ver a desgraça da pirâmide dos alimentos que a OMS recomenda.
    Será apenas uma coincidência? Duvido.
    O que acha, Sérgio?

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  2. Excelente artigo, excelente resumo do essencial!
    É incrível como sempre consigo encontrar aqui redigido aquilo que penso mas que me é, muitas vezes, difícil de transcrever num discurso que faça sentido e que seja coerente e percetível para um público mais geral! Obrigada pelo belo trabalho! :)

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  3. A fé é a essência do ser humano. Ao não dispormos de tempo e ferramentas de análise para decidirmos por nós, nada resta senão ACREDITAR. Alguém no seu perfeito juízo, encurralado entre filhos pequenos, horários e orçamentos impossíveis, vai dar ouvidos a um génio solitário como o Sérgio Veloso, em deterimento da OMS? Então mas a OMS anda a recomendar que as pessoas se matem? Não pode ser e é complicado para alguém culto e informado inteirar-se da verdade, sem que pareça que se está a imiscuir numa complexa teoria alimentar da conspiração que serve os interesses de meia dúzia de criminosos que nos recomendam gordura saturada, colesterol e o perigoso marisco como sendo saudáveis, ou até mesmo essenciais. Você, comê-los, tudo bem; mas vai dá-los ao seu filho de 2 anos? Vai ignorar o seu pediatra e acreditar no Sérgio? Vai dizer ao seu pai, que já teve um enfarte do miocárdio, para deixar as estatinas, comer mais carne vermelha, ovos e verdura e pôr o pão integral de lado? Mas ele só está vivo porque foi seguido pelo chefe de cardiologia do Hospital xxxx, que tem salvado N pais, mães e tios. Estatina e aspirina, a fórmula mágica da longevidade ocidental... Ah... E caminhar, muito, qual carteiro, que devia ser imortal, a julgar pelas recomendações. Pois eu acredito no Sérgio. Terei fé nele? Estarei a ser um fervoroso e devoto crente num líder carismático, à boa maneira humana? Sou um curioso, um autodidata, um presunçoso portanto. Mesmo que disponha de algumas ferramentas de análise, que me levaram a perceber que o trabalho do Sérgio é sério, nada me resta senão acreditar, sem idolatrias, que serve o bem comum, que tem bons princípios e boa índole e que não se vai vender aos gigantes. Tenho FÉ, portanto. Estarei a ser ingénuo? Muita gente acha que sim...

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    1. Faço o meu trabalho, da forma mais edonea possível. O meu objectivo não é que acreditem em mim, mas interesses escondidos não tenho certamente.

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