23 de dezembro de 2015

Fat but fit?


Na última década foi sido desenvolvido o conceito de obesidade saudável. Este peso excessivo sem alterações metabólicas e bioquímicas diagnosticáveis era entendido como inócuo e sem risco para a saúde, embora a OMS tenha já classificado a obesidade como doença. Por outras palavras, era possível ser gordo e saudável ao mesmo tempo. Ora, eu tenho certas dúvidas em relação a isso e, embora em momentos discretos a saúde possa ser uma realidade, a médio-longo prazo o risco de desenvolver doença cardiometabólica ou cancro é bem superior, mesmo quando tudo parece bem à partida. Isto foi já demonstrado numa coorte Espanhola, com aumentos de risco na ordem dos 700% a 11 anos, contra 1100% para indivíduos "metabolicamente doentes". 700% é melhor do que 1100% é certo, mas não significa que seja bom na mesma.

Um estudo prospectivo recente na Suécia vai ao encontro destes resultados [LINK]. O estudo avaliou a capacidade aeróbia em homens e encontrou uma associação negativa com o risco de morte por várias causas. Além disso, homens com peso normal, independentemente da fitness aeróbia, apresentaram menor risco do que obesos com elevada capacidade aeróbia. Em indivíduos com obesidade extrema a fitness aeróbia não se mostrou associada a qualquer redução de risco.

Uma limitação deste estudo é o facto de apenas ter estudado homens. Não é certo que nas mulheres exista a mesma relação, embora alguma probabilidade de tal. No entanto os estrogénios podem desempenhar aqui um papel protector que atenua esta relação entre a obesidade e o risco de doença e morte.

Por outras palavras, não há tal coisa como fat but fit. Não há saúde na obesidade, e os obesos dividem-se em 2 grupos. Os que têm problemas de saúde, e os que vão ter se não fizeram nada contra isso (ou pelo menos existe grande probabilidade para tal). Fazer exercício não chega, é preciso que esse exercício se reflita em resultados reais na composição corporal.

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