28 de junho de 2016

O que o açúcar tem de semelhante à cocaína?


Há alguns dias atrás escrevi um artigo que descrevia o açúcar como uma espécie de droga aditiva cuja resposta cerebral se assemelhava à cocaína [LINK]. Como podem ver na imagem acima, as áreas cerebrais activadas com o açúcar e com a cocaína em modelos experimentais são semelhantes, com acção no núcleo accumbens, região responsável pelo prazer e gratificação. Não é por acaso que a naltrexona parece ter um efeito inibitório dos cravings por doces, um fármaco utilizado na reabilitação de toxicodependentes. Os efeitos dopaminérgicos e colinérgicos são em tudo aparentados a drogas recreativas, muito provavelmente por um mecanismo conservado para que alguns alimentos altamente energéticos, raros na nossa história evolutiva, tenham um efeito aditivo que nos levaria a comer demais, e reservar essa energia para períodos de escassez.

É obvio que não estamos aqui a comparar o açúcar à cocaína, mesmo quando o seu efeito na neuroquímica e actividade cerebral é semelhante. Trata-se da estimulação de um mecanismo fisiológico conservado na nossa espécie para obter prazer de certos alimentos raros, mas de grande densidade energética. O problema é que eles deixaram de ser raros, e em muitos casos o açúcar é hoje também uma dependência. O vício em comida é uma realidade e deve ser tratado como tal.

2 comentários:

  1. Seriam frutas alimentos raros em nossa história evolutiva?

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    1. Sim seriam muito sazonais, e dependendo também obviamente da região do globo. Além disso é provável que o teor de açúcar fosse também mais baixo do que a maioria das frutas que nos chegam, seleccionadas para serem extremamente doces.

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